1 de dez de 2011

Força e flexibilidade

Uma reflexão entre a força e a flexibilidade, particularmente na postura cristã. Este é o propósito deste texto.


Força e flexibilidade

De onde vem a força que precisamos para enfrentar todos os desafios, todas as provações desta vida ? Será que ela deve coexistir com uma postura bélica, agressiva ?
Não parece ser isto que a natureza tem nos mostrado.
Os exemplos mais impressionantes de seres vivos que sobreviveram a várias adversidades neste planeta são justamente os que tiveram mais flexibilidade e paciência para se adaptar às exigências e circunstâncias impostas pela natureza. Alguns deles são organismos aparentemente muito frágeis, muitas vezes unicelulares, que não possuem muitos mecanismos ativos de defesa, além da sua grande capacidade de adaptação frente a desafios.
Outro exemplo que vem da natureza é o da água, substância tão importante para a existência da vida. No seu estado sólido, na forma de gelo, não apresenta grande dureza, comparada com outras substâncias sólidas como metais ou diamante. Apesar disto, em seu estado líquido, com toda a flexibilidade que lhe é característica, ela pode até atravessar rochas e abrir veios subterrâneos que desembocam em aquíferos.
É a flexibilidade da madeira que confere a potência para um arco lançar uma flecha à longa distância. É a flexibilidade do trampolim que impulsiona para o alto os atletas olímpicos em seus magníficos saltos ornamentais.
Sendo flexíveis e pacientes, somos fortes contra as adversidades, tendo mais preparo para superá-las e seguir adiante. A vitória, portanto, não está na conquista pela força, na conquista belicosa, mas sim, no triunfo da capacidade de nos ceder, de nos doar pacientemente, permitindo que as mudanças ocorram de forma serena, gradual e perpétua. A palavra de Deus também aponta nesta direção. Pode-se encontrar nas sagradas escrituras, por exemplo, os versículos 22 e 23 do quinto capítulo da carta de Paulo aos Gálatas: “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.”
O processo de santificação, ou seja, a busca para seguirmos os exemplos que o nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou, parece seguir os mesmos princípios. Não é um movimento feroz, apesar de intenso. Não é ansioso, porém paciente. Não é um caminho imposto, mas sim uma escolha consciente. Não é uma energia desperdiçada, mas sim nobremente empregada na busca do elevado, do altíssimo.
E que fique bem claro que não estamos falando de injustiça complacente ou leniente, mas sim de uma postura pacificadora e com longanimidade.
Assim, parece útil tentar aplicar estes conceitos em eventos cotidianos das nossas vidas. Cada uma destas palavras usadas nas frases abaixo tem um profundo impacto na postura de vida cristã autêntica. E não é uma tarefa nada fácil, para qualquer cristão, exercitar esta postura de forma atenta e contínua.

  • Recuar para avançar.
  • Chorar de alegria para sorrir.
  • Perdoar para desarmar.
  • Respeitar para conquistar.
  • Ouvir para se comunicar.
  • Lutar para pacificar.
  • Libertar-se na servidão e no temor a Deus.