26 de jun de 2014

"Fé salvadora"

R. C. Sproul falando sobre a "fé salvadora" ("saving faith"):

(Link para a página. / Link para o MP3.)
(Aplicativo para dispositivos móveis.)

Nos 7 minutos iniciais da gravação, particularmente à partir do quinto minuto, é apresentado um resumo da posição reformada (protestante) sobre a questão da "fé" e das "obras" na doutrina bíblica da "justificação".
De maneira matematicamente objetiva, o resumo é feito também na forma de equações matemáticas simples:

fé + obras = justificação

fé = justificação + obras

A fé cristã reformada, de uma maneira geral, defende a posição representada resumidamente pela segunda equação matemática (fé = justificação + obras), ou seja, que uma "fé viva" (ou "fides viva", como Martinho Lutero denominava) é uma fé que desencadeia boas obras, como frutos da própria fé.

No segundo capítulo da epístola de Tiago, particularmente dos versículos 14 a 18, há uma exposição clara desta doutrina cristã:
"Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé." (Tiago 2:14-18)

Ainda, no segundo capítulo da epístola aos Efésios, particularmente nos versículos 8 e 9, está uma das passagens mais claras a respeito da salvação pela graça de Deus, por meio da fé:
"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie." (Efésios 2:8-9)

Veja um trecho das Institutas de Calvino, onde ele deixa clara a sua posição reformada:
“... Nós, pelo contrário, quando vemos que os oráculos de Deus ordenam que os pecadores recebam a esperança da salvação, presumimos de bom grado sua verdade, tanto que, confiados só em sua misericórdia, e descartada a confiança nas obras, atrevemo-nos a bem esperar. Não nos enganará aquele que disse: ‘Faça-se-vos conforme a vossa fé’ (Mateus 9:29b).”
(João Calvino, Institutas da Religião Cristã, Livro 3, Capítulo II, parágrafo 43)

25 de jun de 2014

Palavra viva 5

"Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas. Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência. Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas. Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna."
(Hebreus 4:9-16, ênfase acrescentada)

Palavra viva 4

"Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes."
(2 Timóteo 3:1-5)

18 de jun de 2014

Rocha Eterna

Hino 136 - Rocha Eterna – Hinário Novo Cântico
(Autor da letra original, em inglês: A. M. Toplady)

        Rocha eterna, meu Jesus,
        Quero em ti me refugiar!
        O teu sangue lá na cruz,
        Derramado em meu lugar,
        Traz as bênçãos do perdão:
        Gozo, paz e salvação.

        Não por obras nem penar,
        Plena paz terei aqui.
        Só Tu podes consolar,
        Há perdão somente em ti.
        Rocha eterna, só na cruz
        Eu confio, ó meu Jesus!

        Quando o derradeiro olhar
        A este mundo aqui volver,
        E no Trono eu te encontrar,
        Teu chamado a responder;
        Rocha eterna, espero ali
        Abrigar-me, salvo em ti!
        Amém.

Versão cantada, no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=YtUQgQwtv44

A versão original da letra ('Rock of Ages'), em Inglês, pode ser encontrada no link abaixo (sermonaudio):
http://www.sermonaudio.com/hymn_details.asp?PID=rockofagescleftforme

A história deste hino pode ser encontrada no mesmo link, mais abaixo:
http://www.sermonaudio.com/hymn_details.asp?PID=rockofagescleftforme#history

“O reverendo Augustus Montague Toplady é um nome que deve ser incluído em qualquer lista dos grandes escritores de hinos. Um dia, Toplady estava viajando pela agradável zona rural inglesa, quando uma violenta tempestade repentina mandou-o correndo para um abrigo. Ele o encontrou nas proximidades, na fenda de uma grande rocha. Há vários lugares em toda a Grã-Bretanha e Irlanda, onde a população local irá apontar positivamente para a localização exata do lugar de refúgio de Toplady. No entanto, uma vez que essa é uma questão incerta, vou abster-me de favorecer qualquer um em particular. O importante é que o grande homem encontrou o abrigo que precisava; e a coisa maravilhosa para nós é que, enquanto lá, e inspirado pela situação e pelos arredores, ele escreveu essas linhas imortais: ‘Rocha Eterna, fenda para mim, deixe em Ti, me refugiar’ (‘Rock of Ages cleft for me, let me hide myself in thee’).
O rev. Toplady também foi o editor de um pequeno periódico religioso, intitulado "The Gospel Magazine", e algum tempo depois, ele usou as linhas que ele havia escrito sob o abrigo da rocha em um artigo que ele tinha preparado para esse periódico. Neste artigo, ele procurou estabelecer a pecaminosidade do homem e a necessidade absoluta de receber o perdão de Cristo. Foi um ensaio totalmente bíblico e para provar seu ponto, ele comparou os pecados de um indivíduo comum com a dívida nacional da Inglaterra (ver o artigo original neste link, página 29 do arquivo pdf). Toplady tinha calculado que um homem de 50 anos de idade, em sua vida, seria culpado de um bilhão, quinhentos e setenta e seis milhões e oitocentos mil pecados (1.576.800.000 pecados). Ele argumentou corretamente que era humanamente impossível alguém pagar uma dívida tão impressionante de iniquidade. Portanto, os pecadores necessitam de aproveitar a misericórdia e o perdão do Senhor Jesus, que morreu na cruz para 'redimir-nos da maldição da lei'. Ele concluiu o artigo com – ‘A living and dying prayer for the holiest believer in the world’ – que continha o recém-escrito hino ‘Rock of Ages’ (ver o artigo original neste link, na página 36 do arquivo pdf, para a letra de 'Rock of Ages').

Rocha eterna, fenda para mim (Salmos 62:5-8)
Deixe em Ti, me refugiar (Êxodo 33:22)
Deixe a água e o sangue (1 João 5:6)
Que do teu lado ferido, fluiu (João 19:34)
Seja do pecado a dupla cura (2 Reis 2:9-10)
Purifica-me da culpa com teu poder (Isaías 1:18-19)

Não pode o trabalho das minhas mãos (João 5:30)
Cumprir as exigências da lei (Êxodo 20:1-17)
O meu zelo poderia ser contínuo e sem pausa (Salmos 69:9-11)
As minhas lágrimas poderiam fluir para sempre (Salmos 6:6)
Isso tudo não poderia expiar o pecado (Hebreus 10:5-6)
A salvação deve vir do Senhor e somente do Senhor (Hebreus 10:8-10)

Nada em minha mão eu trago (Isaías 1:15)
Simplesmente à Tua cruz eu me agarro (Gálatas 6:14)
Despido venho a Ti para revestir-me (Romanos 13:14)
Desamparado, procuro a Ti por graça (Filipenses 4:11-13)
Imundo, eu corro para a Tua fonte (Salmos 36:9)
Lava-me Salvador, senão eu morro (João 13:8-9)

Quando meu fôlego fugaz se for (Salmos 103:15-16)
Quando minhas pálpebras se fecharem na morte (Eclesiastes 12:3-7)
Quando eu subir para mundos desconhecidos (João 14:2-3)
Ver-Te-ei em teu trono de julgamento (Mateus 25:31-35)
Rocha Eterna, fenda para mim (1 Coríntios 10:4)
Deixe em Ti, me refugiar (Salmo 16:1-8) ”

Obs: algumas referências bíblicas relacionadas à letra traduzida para o português foram editadas.

16 de jun de 2014

Palavra viva 3

"[Cântico de romagem. De Davi] 
SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim.
Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo.
Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre."
(Salmos 131)

Dicas valiosas

http://youtu.be/lWErnag4Pmw

Mais informações sobre as perguntas e respostas deste vídeo, neste link.

15 de jun de 2014

Institutas 25

“... Não somos nossos; logo, que nem nossa razão nem nossa vontade tenham predomínio em nossas resoluções e em nossos atos. Não somos nossos; logo, não estabeleçamos parra nós a finalidade de buscar o que nos convém segundo a carne. Não somos nossos; logo, convém que nos esqueçamos tanto quanto possível de nós mesmos e de todas as nossas coisas. Em contrapartida, somos de Deus; logo, vivamos e morramos parar Ele. Somos de Deus; logo, que sua sabedoria e vontade presidam todas as nossas ações. Somos de Deus; a Ele, pois, dediquemos todas as partes de nossa vida, como o único fim legítimo (Romanos 14:8)...”
“... E, assim, o primeiro passo é que o homem se afaste de si, para aplicar toda a força de seu intelecto ao serviço de Deus. Chamo serviço não somente o que consiste na obediência à Palavra, mas aquele pelo qual o intelecto do homem, esvaziada da sensação mesma de sua carne, converte-se inteiramente às ordens do Espírito de Deus. Essa transformação, à qual Paulo chama renovação da mente (Efésios 4:23).”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo VII, parágrafo 1)

“... É preciso o cristão estar de tal forma disposto e preparado que compreenda que seu negócio com Deus é para toda a vida. Por essa razão, da mesma forma que entregar todas as suas obras ao arbítrio e ao cálculo de Deus, assim também oferecerá a Ele, reverentemente, todo o desígnio de seu coração.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo VII, parágrafo 2)

“... A escritura, no entanto, para conduzir-nos a isso, adverte-nos de que todas as graças que obtemos do Senhor nos foram confiadas por Ele com a condição de que contribuamos ao bem comum da Igreja; e, portanto, que o uso legítimo de todas essas graças implica a comunicação liberal e benigna delas aos demais...”
“... Logo, uma vez que tua benignidade não pode subir até Deus (como diz o profeta), ela deve ser exercitada para com seus santos, que estão na terra (Salmos 16:3).”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo VII, parágrafo 5)

“... O Senhor prescreve que se faça o bem a todos, sem exceção, ainda que eles sejam, em sua maior parte, completamente indignos, se são julgados pelos próprios méritos. Mas aqui a Escritura apresenta uma excelente razão, ao ensinar-nos que n ao devemos examinar o que os homens mereçam por si, mas sim considerar em todos a imagem de Deus, à qual devemos toda honra e amor. Ela deve ser observada ainda mais diligentemente naqueles que são ‘da família da fé’ (Gálatas 6:10), enquanto é neles renovada e restaurada pelo Espírito de Cristo.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo VII, parágrafo 6)

“... Ora, requer-se dos cristãos muito mais além do que mostrar-se afável de rosto e tornar seus deveres amáveis pela cordialidade de suas palavras. Primeiro, devem olhar para quem carece de sua ajuda e levantar a pessoa, ao mesmo tempo em que se condoem de sua sorte, como se eles mesmos a experimentassem e padecessem, para que prestem auxílio com o mesmo sentimento de misericórdia e de humanidade, não de forma diferente do que prestariam auxílio a si mesmos.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo VII, parágrafo 7)

“... Pois não é coisa de pouca importância arrancar de ti o cego amor por ti mesmo, para que te tornes mais cônscio de tua debilidade; que sejas ferido pela percepção de tua debilidade, para aprenderes a desconfiar de ti mesmo; que desconfies de ti mesmo, para transferires a Deus tua confiança; que repouses a confiança de teu coração em Deus, para que, apoiado em seu favor, perseveres vitorioso até o fim; e que perseveres em sua graça, para compreenderes que é veraz em suas promessas; que consideres como certa essa segurança de suas promessas, para que se consolide tua esperança a partir daí.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo VIII, parágrafo 3)

“... Contentemo-nos, pois, mais com o testemunho de Cristo que com uma falsa opinião da carne. Assim, a exemplo dos apóstolos, regozijar-nos-emos sempre que Ele reputar dignos aqueles que soframos afronta por causa de seu nome (Atos 5:41). Quê, então? Se, inocentes e de consciência limpa, somos despojados de nossos bens por maldade dos ímpios, diante dos homens somos reduzidos à indigência, mas, diante de Deus, nossas verdadeiras riquezas aumentam no céu. Se somos separados de nossos parentes, tanto mais somos recebidos na família de Deus; se somos marcados por opróbrios e ignomínia, tanto maior nosso lugar no reino de Deus; se somos trucidados, desse modo se nos abre a porta para a vida bem-aventurada. Envergonhemo-nos, pois, de dar menos valor àquilo a que o Senhor atribuiu tão alto preço do que às ociosas e vãs seduções da vida presente.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo VIII, parágrafo 7)

“... Se não houvesse aspereza na necessidade, se não houvesse suplício nas doenças, se não houvesse golpe na ignomínia, se não houvesse horror na morte, que fortaleza ou moderação haveria em fazer pouco caso dessas coisas? Mas, como cada uma contém em si certa amargura, com a que naturalmente morde o coração de todos nós, nisto se mostra a fortaleza do homem fiel: se, tentado pela sensação de amargura, ainda que sofra intensamente, vence, resistindo com bravura.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo VIII, parágrafo 8)

“... Pois as próprias adversidades terão sua aspereza, com a qual nos morderão. Sim, afligidos pela doença, gemeremos e nos inquietaremos e ansiaremos pela cura; sim, oprimidos pela necessidade, seremos tocados pelos aguilhões da inquietação e da tristeza; sim, seremos feridos pela dor da ignomínia, do desprezo e da injúria; sim, derramaremos as lágrimas exigidas pela natureza nos funerais dos nossos; mas sempre chegaremos a esta conclusão: o Senhor quis assim; sigamos, pois, sua vontade. Mais ainda, é necessário que esse pensamento penetre nos próprios golpes da dor, nos gemidos e nas lágrimas, e incline nosso espírito a suportar com alegria as mesmas coisas que o entristecem.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo VIII, parágrafo 10)

“Seja qual for o gênero de tribulação que nos aflija, devemos ter sempre em mente este fim: acostumarmo-nos ao desprezo pela vida presente, e, por isso, despertarmos para a meditação da vida futura. Pois, uma vez que o Senhor sabe muito bem até que ponto estamos inclinados pela natureza a um bestial amor a este mundo, aplica a medida mais eficaz para afastar-nos dele e despertar-nos de nosso torpor, a fim de que não nos apeguemos tão tenazmente a tal amor...”
“... Mas, se examinares as intenções, as empresas, os atos de cada um de nós, não verás ali nada mais que terra. E daí provém nossa estupidez, porque nossa mente é embotada pelo vão esplendor das riquezas, do poder e das honras, para que não vejam além. Também o coração é acabrunhado pelo peso da avareza, da ambição e do desejo, para que não se erga mais alto. Finalmente, nossa alma toda, enredada nos deleites da carne, procura sua felicidade na terra...”
“... E disso concluímos que  aqui não se deve buscar nem esperar mais do que luta; e que devemos levantar os olhos para o céu quando pensamos na coroa. Pois é certo que nosso espírito não levará a sério o desejo e a meditação da vida futura a menos que, antes, tenha sido imbuído do desprezo pela vida presente.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo IX, parágrafo 1)

“Porque entre essas duas coisas não há meio-termo possível: ou a terra perde todo o valor para nós ou nos reterá ligados a ela por um amor destemperado. Por isso, se a eternidade significar algo para nós, devemos nos incumbir diligentemente de nos livrar desses maus grilhões. Além disso, uma vez que a vida presente dispõe de muitas seduções com que nos aliciar e muita aparência de amenidade, de graça e de suavidade com que atrair, é extremamente necessário que nos afastemos dela amiúde, para não sermos fascinados por tais encantos.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo IX, parágrafo 2)

“Os fiéis acostumar-se-ão a tal desprezo pela vida presente, sem, no entanto, nutrir ódio e ela nem ingratidão para com Deus. Porque esta vida, por mais que repleta de infinitas misérias, consta com razão entre as irrecusáveis bênçãos de Deus. Por isso, se não reconhecemos nela nenhum benefício de Deus, já somos culpados de grande ingratidão para com Ele. Principalmente, ela deve servir de testemunho para os fiéis da benevolência divina, uma vez que está toda destinada a promover sua salvação. Pois Ele, antes de mostrar-nos abertamente a herança da glória eterna, quer declarar que é nosso Pai com demonstrações menores, que são os bens que nos confere a cada dia.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo IX, parágrafo 3)

“... Pois, se o céu é sua pátria, que é a terra senão seu exílio? Se partir deste mundo é entrar na vida, que é este mundo senão um sepulcro? E que é permanecer nele senão estar imerso na morte? Se ser libertado do corpo é ser posto em perfeita liberdade, que é o corpo senão um cárcere? Se usufruir da presença de Deus é a suma e suprema felicidade, não será infeliz carecer dela? Certamente, enquanto não deixamos o mundo, ‘somos peregrinos, longe do Senhor’ (2 Coríntios 5:6)...”
“... mesmo desejando seu fim [vida terrena], estejamos também preparados para permanecer nela segundo a vontade do Senhor, para que nosso tédio passe longe de toda murmuração e impaciência. Pois ela é como uma moradia em que o Senhor nos colocou e que deve ser conservada por nós até que Ele nos chame de volta...”
“... é próprio do Senhor determinar o que mais convém à sua glória. Portanto, se devemos viver e morrer para o Senhor, deixemos a seu arbítrio o limite da morte e da vida...”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo IX, parágrafo 4)

“... ‘Alegrai-vos’, diz o Senhor, ‘levantai vossas cabeças, por que se aproxima vossa redenção’ (Lucas 21:28). É razoável, pergunto, que aquilo que o Senhor quis que nos fizesse saltar de felicidade e de alegria não gere em nós senão tristeza e consternação? Se é assim, por que nos vangloriamos dele, como se ainda fosse nosso Mestre? Recobremos então o juízo; e, por mais que isso repugne à cega e estúpida cobiça da nossa carne, não duvidemos de que esperar o advento do Senhor com nosso desejo, e também com gemidos e suspiros, é, entre todas as coisas, a mais feliz. Pois virá a nós o Redentor, que, tendo-nos tirado deste imenso abismo de todos os males e misérias, guiar-nos-á àquela bem-aventurada herança de vida e de sua glória.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo IX, parágrafo 5)

“... Mais ainda: se os fiéis são golpeados pela improbidade dos ímpios, se suportam as ofensas de sua altivez, se são saqueados por sua avareza, se são atormentados por algum outro desejo deles, ainda então não lhes será difícil consolar-se mesmo em meio de tais males. Pois terão diante de seus olhos aquele dia em que o Senhor receberá a seus fiéis no descanso de seu reino, enxugará todas as lágrimas de seus olhos, vesti-los-á com a túnica da glória e da alegria, apazigua-los-á com a inenarrável suavidade de seus deleites, eleva-los-á a sua altura e honra-los-á, finalmente, com a participação em sua bem-aventurança (Isaías 25:8; Apocalipse 7:17).”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo IX, parágrafo 6)

12 de jun de 2014

Aprendizado piedoso 85

"Como os ímpios são feridos pelas melhores coisas, então os piedosos são aperfeiçoados pelas piores."
(William Jenkyn)

"Quando crescemos descuidados de manter as nossas almas, então Deus recupera novamente o nosso gosto pelas boas coisas através de cruzes afiadas."
(Richard Sibbes)

"Nenhum homem sábio pode esperar que... Deus deve nos alimentar com um banquete contínuo. Não seria terno nem com nossa saúde, nem com a condição de peregrinação. Viva, portanto, na sua paz de consciência como a sua dieta ordinária; quando é requerido, saiba que Deus determina para você uma dieta saudável; e quando você tiver um banquete de grandes alegrias, se alimente dele e seja grato! Mas quando forem tiradas de você, não fique boquiaberto como os discípulos ficaram na ascensão de Cristo; mas retorne agradecidamente à sua ordinária dieta de paz."
(Richard Baxter)

"Deus adoça a dor exterior com a paz interior."
(Thomas Watson)

"Aflições são leves em comparação com o que realmente merecemos. Elas são leves quando comparadas com os sofrimentos do Senhor Jesus. Mas, talvez, sua leveza real seja melhor compreendida pela sua comparação com o peso de glória que nos espera."
(Arthur W. Pink)

*** A fonte original (em inglês) destas citações pode ser encontrada neste link.

10 de jun de 2014

"Posso ter alegria em minha vida?"

Alguns trechos do livro "Posso ter alegria em minha vida?", de R. C. Sproul*. 
Recomendo a leitura completa deste livro.

"Você é feliz?
Aristóteles, filósofo grego da antiguidade, afirmou que 'Todos os homens aspiram à vida feliz e à felicidade, esta é uma coisa manifesta'. Blaise Pascal, filósofo e matemático francês do século XVII, concordou com essa afirmação ao dizer: 'Todos os homens procuram ser felizes. Isso não tem exceção, por mais diferentes que sejam os meios empregados. É o motivo de todas as ações, de todos os homens, até daqueles que vão se enforcar'. Machado de Assis, jornalista e literata brasileiro do século XIX, fala do homem que busca a 'quimera da felicidade'."

"... É difícil sentir alegrai quando há doença e sofrimento em nossa vida. 
Quando passamos por estes períodos, o conselho de Paulo é lembrarmos que Deus fixou um limite de tempo ao nosso sofrimento e que, depois desse tempo, entraremos numa condição em que não haverá mais sofrimento. Não haverá mais lágrimas, nem dores, nem ansiedade, nem tristeza, nem adversidade. Isso parece uma ilusão, mas não podemos nos esquivar do fato de que o âmago da fé cristã é a verdade de que este mundo não é o nosso lar. Nosso destino final ainda está à frente.
Portanto o céu é a grande esperança do cristão, e o Novo Testamento diz que a esperança é a âncora da alma (Hebreus 6:19)."

"No meu primeiro ano como uma nova criatura em Cristo, aprendi um conceito simples a respeito da palavra alegria. Aprendi que a palavra alegria envolve, essencialmente, três pessoas: Jesus, os outros e você mesmo. E a principal lição é que o segredo da alegria é colocar Jesus em primeiro lugar, os outros, em segundo, e você mesmo, em terceiro."

"... Em palavras simples, todos os esforços que fazemos para sermos alegres e produtivos, ou para realizar alguma coisa digna do reino de Deus, são exercícios de futilidade, se tentarmos fazê-los em nosso próprio poder. Os cristãos precisam entender que sem uma firme conexão com Cristo, que é a fonte de poder, seremos totalmente infrutíferos."

*Observação: Este livro pode ser conseguido gratuitamente neste link do Ministério Ligonier.

6 de jun de 2014

Tendências culturais ("culturomics")

Gráficos do "Google Books Ngram Viewer"

Mecanismo de busca: O 'Google Books Ngram Viewer' exibe um gráfico que mostra como as palavras (ou frases) têm ocorrido nos livros que já foram digitalizados. Isto significa, aproximadamente, 5,2 milhões de livros, ou seja, cerca de 4% de todos os livros já publicados até então. Desta maneira, se torna uma ferramenta quantitativa para medir tendências culturais ("culturomics"), se for usada com a devida cautela para a interpretação dos resultados.

4 de jun de 2014

Aposta racional

Tentando racionalizar as consequências da "aposta de Pascal"...

"Paixão pela verdade"

Trecho extraído do livro "Paixão pela verdade: a coerência intelectual do evangelicalismo", de Alister McGrath:

"Deve-se notar que o evangelicalismo está disposto a tolerar diversidade onde isso não disser respeito às questões centrais da fé cristã. A máxima sábia do grande escritor puritano Richard Baxter (1615-91) é de valor enorme aqui: 'em essenciais, unidade; em não-essenciais, liberdade; em todas as coisas, amor (in necessariis unitas, in non-necessariis libertas, in utrisque caritas)' [N.H. Keeble & G.F. Nuttall. Calendar of the Correspondence of Richard Baxter. 2 vols., Oxford: Clarendon, 1991, v.1, p.226]. Os evangélicos estão assim concordes em sua afirmação da autoridade da Escritura na vida e pensamento cristãos... Este estudo não tenta resolver debates desta natureza entre evangélicos. Antes, visa a demonstrar a coerência intelectual da visão teológica evangélica como um todo: tanto sua coerência e lógica interna, como sua credibilidade em termos das abordagens rivais à teologia no mundo contemporâneo."

Institutas 24

“... Agostinho diz a este propósito [indulgências]: ‘Mesmo que, irmãos, morramos por nossos irmãos, ainda assim o sangue de nenhum mártir é derramado para a remissão dos pecados, o que Cristo fez por nós; e não o fez para que o imitássemos, mas no-lo concedeu para que agradecêssemos’ [Aug., In Ioh. Tract. 84, 2 MSL 35, 1847]. E, em outro lugar: ‘Assim como só o Filho de Deus se fez homem para consigo fazer-nos filhos de Deus, só ele, não merecedor de seus males, sofreu a pena em nosso lugar, a fim de que nós, não merecedores de nossos bens, conquistássemos uma graça indevida’ [Aug., Contra duas ep. Pelag. Ad Bonif. IV 4, 6 MSL 44, 613; CSEL 60, 526, 19ss].”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo V, parágrafo 3)

“... E, ainda que a Lei de Deus contenha em si aquela novidade pela qual se restaura em nós a imagem de Deus, no entanto, como nossa lerdeza tem necessidade tanto de muitos estímulos quanto de escoras, será útil extrair de passagens diversas da Escritura uma ordem com que organizar nossa vida, para que aqueles que desejam o arrependimento não se percam em sua intenção... Talvez haja tempo, em outra ocasião, para tais discussões; ou talvez deixe essa parte para outros, por não ser eu o mai sindicado. Por inclinação natural, agrada-me a brevidade. E talvez não conseguisse, se quisesse, falar de modo mais copioso. Mesmo que um método de ensino mais prolixo fosse muito mais plausível, dificilmente eu me permitiria experimentá-lo.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo VI, parágrafo 1)

“Este é o lugar para dirigir-me aos que não têm nada de Cristo além de um título e um símbolo, e, no entanto, querem ser chamados cristãos. Com que cara, afinal, vangloriam-se de seu santo nome? Pois nada têm em comum com Cristo aqueles que n ao tenham recebido da palavra do Evangelho o correto conhecimento... Falsamente, pois, e também com injúria para com Cristo, afirmam que dele possuem o conhecimento, por mais que matraqueiem com eloquência e facilidade acerca do Evangelho. Pois este não é doutrina de língua, mas de vida, e não se aprende unicamente com o intelecto e a memória, como as outras disciplinas, mas, quando recebida, possui afinal toda a alma e encontra sede e receptáculo no mais profundo do coração... Concedemos prioridade à doutrina em que se apoia nossa religião, visto que dela advém nossa salvação. Entretanto, é necessário que a doutrina penetre em nosso peito e chegue a nossos costumes, e de tal modo nos transforme que não nos seja infrutífera... Evangelho cuja eficácia deveria penetrar nos afetos mais íntimos do coração, cem vezes mais do que as frias advertências dos filósofos, e assentar-se na alma e afetar o homem em sua totalidade.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo VI, parágrafo 4)

“... Devemos ter diante de nossos olhos esse objetivo, ao qual dirigir todo o nosso empenho. Estabeleçamos uma meta, pela qual trabalhemos e nos esforcemos. Pois não é permitido repartir com Deus, para que acolhas uma parte das coisas que te foram prescritas por sua Palavra e desprezes outra, segundo teu arbítrio. Porquanto Ele sempre nos recomenda, em primeiro lugar, a integridade como parte principal de seu culto, querendo dizer com essas palavras uma sincera simplicidade de alma, desprovida de engano e de ficção, coisas a que se opõe nosso coração duplo. Como se dissesse que há um princípio espiritual de viver retamente quando o afeto interior do coração consente em servir a Deus sem ficção, em santidade e em justiça. Mas, uma vez que no cárcere terreno de nosso corpo ninguém dispõe de forças para apressar esse percurso com a devida rapidez, ao passo que uma tão grande debilidade oprime a maioria, que, vacilando e claudicando, arrastando-se dificultosamente, caminhemos cada um segundo suas pequenas possibilidades e prossigamos o caminho que começamos. Ninguém avançará tão infrutiferamente que não percorra pelo menos uma parte do caminho a cada dia. Não desistamos, pois, de fazê-lo, a fim de algo sempre aproveitar no caminho do Senhor, e não desesperemos com a pouca importância do resultado. Ainda que o resultado não corresponda a nosso desejo, o trabalho não está perdido quando o dia de hoje supera o de ontem. Miremos em nosso objetivo com sincera simplicidade e aspiremos a essa meta, sem nos adular a nós mesmos com lisonjas nem condescender com nossos vícios, mas nos esforçando sempre na tentativa de nos tornarmos melhores, até que alcancemos a bondade que realmente buscamos e perseguimos por toda a vida. Atingi-la-emos quando, despojados da fraqueza de nossa carne, formos plenamente admitidos na companhia de Deus.”
(João Calvino, Livro 3, Capítulo VI, parágrafo 5)